Em defesa da Filosofia

A importância do pensamento crítico nas Sociedades da Informação
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Combater a ignorância é uma tarefa que exige o contributo de todos. Este combate deve ser travado sobretudo nas escolas, estimulando o espírito crítico dos intervenientes no processo educativo. Este combate deve também estender-se para além dos muros das escolas. Exige um esforço contínuo de todos e tem de ser levado a cabo, quer em contextos familiares, quer em contextos institucionais. Formar homens lúcidos, críticos e conscientes será, sem dúvida, a melhor forma de combater a difusão de ideias falsas, nomeadamente nas redes sociais. A desinformação e a demagogia não surgiram com as redes sociais.

Aliás, uma das razões que levou Platão a recusar a democracia como sistema político foi o sistema democrático ser propício à propagação da demagogia. Contudo, as redes sociais trouxeram consigo novos problemas e potenciaram a desinformação. Na verdade, as redes sociais aceleraram a difusão de notícias falsas e boatos, pois permitem que todas as pessoas publiquem notícias e que qualquer pessoa as partilhe. As fake news correm nas redes sociais como o fogo na pradaria. Disseminam-se como vírus. Por isso, o desenvolvimento do espírito crítico é crucial para combater a difusão de ideias falsas no mundo virtual. Devemos ser capazes de inspecionar as diferentes ideias e notícias com que nos deparamos e avaliar a sua consistência e o seu grau de verdade. As pessoas bem informadas e com elevado espírito crítico são mais difíceis de manipular. Associado ao desenvolvimento do espírito crítico, as pessoas devem ser estimuladas a alargarem a sua visão científica do mundo. Ao procedermos desta forma, estamos mais capacitados para separar o trigo do joio a nível informativo. Se o saber da ciência chegar às pessoas, então a difusão de falsas informações será bem mais difícil.

O ex Presidente americano, Donald Trump, várias vezes, fez afirmações falsas sobre questões de natureza científica. Por exemplo, afirmou que as vacinas são causadoras de autismo. Em janeiro e fevereiro de 2020, não só ignorou alertas sobre os riscos do coronavírus como não se coibiu de criticar quem os produziu de alarmistas. Uma sociedade bem informada rapidamente reconheceria a inconsistência das afirmações, pois Trump não poderia nunca ser reconhecido como uma autoridade em questões de saúde. Ser presidente da nação mais poderosa do mundo não o torna perito em questões de saúde ou em outras quaisquer questões de índole científica. Por isso, uma sociedade na qual floresça o espírito crítico e na qual as pessoas estejam bem informadas a nível científico será bem mais difícil de manipular; assim, essas pessoas serão menos propensas à difusão de notícias falsas.

Todos aqueles que apresentam teorias nas redes sociais que desafiam o bom senso devem ser desmascarados. A apresentação de contra-exemplos, a confrontação das teorias com os factos é a forma mais adequada para mostrar a falsidade destas teorias.

P.S. Reflexão sobre a ação de formação “Conceitos Fundamentais do Conhecimento: Pontos de Reflexão e Conflito Epistemológico.”

F. Pinheiro